quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Opinião, exclamação.

Recebi um e-mail com o desabafo de uma estudante a respeito da nico lopes 2009. Achei justo fazer o repasse e abrir espaço para discussão. Segue abaixo:

Qual é a cara do estudante?


Essência... Seu significado transmite a idéia de interior, profundeza, uma manifestação que venha de dentro, do coração. Pena que muitas vezes as essências se perdem e as aparências, que sozinhas, são superficiais e até mesmo supérfluas surgem com uma força estrondosa, e acabam inibindo tudo o que as verdadeiras essências poderiam trazer de interessante para a formação individual, de uma sociedade, da capacidade de reflexão de cada um, daquilo que está ao redor e de todo o geral.

Às vezes fico pensando se as pessoas realmente refletem sobre aquilo que as cercam, sobre os atos feitos e sobre as pessoas ao redor. Muitas vezes quero acreditar que sim, que a maioria das pessoas tem o mínimo de senso político, social, ambiental, cultural e artístico... Porém esses meus pensamentos desaparecem e se decepcionam em poucas horas. É o contato com a realidade que me faz ver que a esperança é um sentimento bonito, porém fraco.

Ontem, resolvi seguir na marcha Nico Lopes, uma marcha tradicional dos estudantes da Universidade Federal de Viçosa. Esse ano, a marcha completou 80 anos e apesar de no começo ela ser uma festa de bebedeira, na qual os estudantes se reuniam em um bar para comemorar o aniversário do Dono do bar o Senhor “Nico Lopes”, as mudanças políticas no país transformaram a marcha em manifestos, protestos, se encaixando num âmbito bem mais político.

Eu concordo com o fato de que não estamos mais em uma repressão política, igual foi o Regime militar, mas ainda temos muito que manifestar para construir uma Universidade e até mesmo um país melhor. Parece utópico, mas é em pequenos atos que se consegue atenção e respeito. Todavia, devemos ter muito cuidado da forma como chamamos essa atenção...

Que respeito conseguiremos transformando um dos únicos espaços que os estudantes tem de se colocar e se manifestar, em uma algazarra, bebedeira a até mesmo vandalismo? Infelizmente foi a única coisa que eu consegui enxergar na Nico Lopes 2009.

Pessoas caindo de tanto beber, destruição das plantas que existiam nos carteiros da avenida principal da UFV, pichação de muros, pessoas urinando pela universidade, lixo por toda parte, brigas, manifestações de preconceito, enfim... Acredito que nunca foi essa a essência da marcha Nico Lopes. Sinto, porque a as únicas coisas com que a maioria dos estudantes estavam preocupados era com o trio elétrico que passava pelas avenidas de viçosa, com o preço da cerveja, e com a próxima música de axé que o a banda ia tocar.

É triste notar que a maioria não estava presente pelo fato da essência que a marcha deveria trazer, mas sim pela aparência, e somente pela aparência: música alta, muita gente, bebida e uma diversão descontrolada.

Uma minoria de estudantes se reuniu para tentar achar a manifestação do coração, mas, ela não estava lá, ela não existia. Afinal, esse ano a marcha foi construída em cima das superficialidades da aparência!

Entristece-me, pois a imagem de um estudante despolitizado e de um diretório central dos estudantes que só se preocupa com as aparências dos atos que tomam. Passam a representação do vandalismo, do preconceito, da violência e até mesmo da falta de cuidado com si mesmo. Infelizmente, na marcha Nico Lopes 2009 foi essa a cara do estudante!

Gabriela Gasparotto

Dança 2008


O texto chegou até mim e representou todas as premissas que eu tinha a respeito da Ni(mi)co Lopes 2009. De fato tivemos a maior mi(pi)careta da região, regada de tudo aquilo que não traz à universidade, ao município e muito menos ao estudante melhoria alguma.

Uma coisa que muito me incomodo é a grande quantidade de recurso público desperdiçado. Isso por que não deve haver necessidade de deixar o porão mais bonito, o banheiro mais higiênico, os CA's com uma estrutura melhor que lhes permita trabalhar entre tantas outras necessidades dos estudantes.

Quanto ao slogan " a cara do estudante" vejo como sendo a única coisa coerente de tudo isso, pois a muito já não creio que aqui se encontra o futuro da nação, claro sem generalizar, mas essa bagunça toda foi realmente a cara de muitos estudantes por aqui.


Uli Canelone

Espaço do Leitor: Necessidades Sexuais

Nunca tinha entendido por que as necessidades sexuais dos homens e das mulheres são tão diferentes. E nunca tinha entendido por que os homens pensam com a cabeça e as mulheres com o coração.
Uma noite, semana passada, minha mulher e eu estávamos indo para a cama. Bom, começamos a ficar à vontade, fazer carinhos, já estava bastante excitado e nesse momento, ela fala: "Acho que agora não quero, só quero que você me abrace. Me abrace, mas me abrace forte " Eu falei: "O QUEEEEEE??" Ela falou: "Você não sabe se conectar com as minhas necessidades emocionais como mulher".
Comecei a pensar onde podia ter falhado. No final, assumi que naquela noite, não ia rolar nada, virei e dormi.
No dia seguinte fomos a um grande hipermercado, do tipo Carrefour, com muitas lojas dentro dele. Dei uma volta enquanto ela experimentava três modelitos caríssimos. Como não podia decidir por um ou outro, falei para comprar os três. Então ela me falou que precisava de uns sapatos que combinassem, a R$ 200,00 cada par. Respondi que tudo bem. Depois fomos à seção de joalheria, de onde saiu com uns brincos de diamantes.
Estava tão emocionada! Deveria estar pensando que fiquei louco, agora penso que estava me testando quando pediu também uma raquete de tênis, porque nem tênis ela joga.
Acredito que acabei com seus esquemas e paradigmas quando falei que sim. Ela estava quase excitada sexualmente depois de tudo isso; Vocês tinham que ver a carinha dela, toda feliz!
Quando ela falou: "Vamos passar no caixa para pagar" tive dificuldade para me segurar ao falar com ela: "Não, meu bem, acho que agora não quero comprar tudo isso". Ela ficou pálida. Ainda falei: "Só quero que você me abrace. Me abrace, mas me abrace forte". No momento em que começou a ficar com cara de querer me matar, falei: "Você não sabe se conectar com as minhas necessidades financeiras como homem..."
Acredito que o sexo acabou para mim até o natal de 2010...

Luis Fernando Veríssimo

Este texto foi enviado aos editores do canela news por: Sara Vasconcelos
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